bubbles.

Sábado, Outubro 24, 2009



perco-me vezes sem conta a olhar para coisas [in]significantes. os meus olhos são mais de criança do que os de muitos dos meus miúdos que, ano após ano, me chegam em fornadas cada vez mais requintadas, cada vez mais exigentes, cada vez mais intolerantes. se há coisa que não quero perder [nunca] é a faculdade do assombro. e o brilhozinho nos olhos.

qualquer dia...

Quarta-feira, Outubro 21, 2009

... ainda assistimos à proclamação de uma fatwa lusa contra o Saramago.

e os intolerantes são (só) os outros.....



...a propósito disto...

perguntas [I]

pergunta [ou o caminho que alguns tomam para chegar a este blog]:

como agarrar um homem pelas pré-liminares
(sic)

resposta:

pela alma



as good (as it gets)

Terça-feira, Outubro 06, 2009

...I think we have something special....

[I know we do]

voltou o outono...

Segunda-feira, Outubro 05, 2009

... e com ele a vontade de oferecer a minha face a cada gota de chuva.

sempre pensei que...

.... dançar pela rua à noite só acontecesse nos filmes.

kiss.me.

Domingo, Setembro 13, 2009

o filme era pouco relevante. facilmente esquecível. mas roubou-me um sorriso com este monólogo.

Life. What's life all about?
Love! Love, love, love, love. You want to be in love.

That's right. You want to feel that first kiss again.

Because that's the only real kiss in a relationship, is the first kiss.

All the rest of the kisses are just protocol.

Every other kiss is protocol. Just routine.

"Hey, you was gone, you back."
[kiss]
"Hey, we're having sex."
[kiss]
"Hey, I miss you."
[kiss]
The first kiss is the only real one.

And it always happens in the middle of a conversation.

You don't even know what they're talking about...

"And maybe someday I was thinking about trying to get the..."
[kiss]
Uhh.

The first kiss is always like double Dutch.

You just sitting there like, "When do I get in?"

"Oh, yeah! I'm kissing! I'm kissing, I'm kissing."


[double dutch. foto daqui]

o primeiro beijo ... dispara-se-nos o coração e o estômago centrifuga à 100 a hora. irrepetível. talvez a foto mais bonita que nunca conseguirei tirar. mas eu também sou um animal de rotinas. desde que sentidas :)

espera(nça)

Quinta-feira, Setembro 10, 2009

"não esperes" começava o bilhete "que sinta sempre um aperto no peito, o medo de te perder. não esperes grandes cenas de ciúmes, gestos aflitivos, noites sem dormir. dou-te o que é meu, as minhas mãos, palavras e sentidos. mas também a calma de quem (agora) sabe os seus limites. não esperes que para chegar até ti tenha de ir tão além de mim que já seja outrem. não esperes que eu seja mais fraca do que sou ou mais forte do que alguma vez irei conseguir ser. não esperes (mais) nada. e eu dou-me (a ti) em tudo." ele pousou-o e sorriu. e disse muito baixinho "também gosto muito de ti"


interjeições

sei que o meu aluno já se safa bem em português quando o ouço dizer "meu Deus" em vez de "mein Gott" quando acha alguma coisa complicada...

a continuação.

Quarta-feira, Setembro 02, 2009

vês como o tempo passa. ainda ontem era setembro, aquele vento leve que começa a tingir as folhas de vermelho anunciava-se. ainda se sentia o calor do verão e aqui o verão consegue ser mesmo sufocante enquanto que na minha rua sopra de vez em quando o cheiro a mar. ainda ontem era setembro quando pegaste na minha mão e não a querias largar. a minha ainda estava quente mas a tua escaldava. cada lágrima que caía quase se evaporava antes de tocar nela. eu lembro-me. não falei contigo mas senti cada palavra que me disseste em surdina. o teu ritmo cardíaco como código morse. eu lembro-me. quis dizer-te que sim, que também te amava como da primeira vez que te vi. que serias sempre a menina que dormia junto a mim nas noites de verão. lembras-te delas? eu lembro-me. vês como passa o tempo. ainda ontem era verão, ainda ontem era setembro e o setembro já voltou. se fechar os olhos sinto os raios do verão decrescente e o vento a dançar em redor deles. se fechar os olhos sinto a tua mão outra vez na minha, as tuas lágrimas a caírem em cima delas. se fechar os olhos, volto a querer tentar dizer-te, sem conseguir, que nunca te deixarei. estarei sempre contigo. sempre. fecha os olhos. consegues ouvir[-me] o vento?

[nunca vou deixar de ouvir]

r[ab]iscos

Sexta-feira, Agosto 14, 2009

um atraso de meia hora. e eu que chego sempre cedo de mais. da mala tiro um livro, uma caneta e o mp3. a banda sonora do Once no eco da Noiva Judia do Pedro Paixão, enquanto espero por ti. aos poucos deixo de olhar para o relógio. esqueço o ecrã luminoso das chegadas. e o tempo passa, rápido. muito. risco um guardanapo com palavras soltas que vão surgindo. e outro. e um terceiro. daqui a pouco estás aqui. senti a tua falta. tanta. mas também senti falta do tempo passar assim, ao som das letras rabiscadas no papel e dos acordes. tanta falta.

sol.dade.

Sexta-feira, Julho 31, 2009

li pouco. escrevi menos. quase não fotografei. trabalhei imenso. senti. vivi.

conto raspar as capas dos livros com a areia da praia. sujar as folhas de rascunho com creme bronzeador. tentar não deixar a máquina cair muitas vezes ao chão.

entro hoje de férias. que período bom para voltar a pensar.

god.be.with.you

os livros são (de) todos os dias.

Quinta-feira, Abril 23, 2009

passo os olhos pelas minhas estantes e contemplo volumes da minha biografia. é isso que os livros também são. para mim. o Pêndulo de Foucault foi recomendado pela professora de Português do 12ºano, altura em que devorei Os Maias de um trago e coloquei o Memorial do Convento na prateleira [até hoje]. já desisti por duas vezes do Absolom, Absolom, uma das obras de "Literatura Inglesa III", que ainda pertence aos meus 1990's. os volumes da Agatha Christie trazem nas suas páginas cheiro a mar, sol e grãozinhos de areia, dos dias na praia em anos de juventude.

passo os olhos pelas minhas estantes e encontro pedacinhos de mim em cada um deles.

mesmo naqueles que ainda não abri.

titulando.

a flier desafiou-me. e eu gosto de desafios :)

então é suposto "escrever uma frase, citar um título ou contar uma historinha sobre seis assuntos nos seguintes segmentos"... sendo hoje o dia do livro, um título que por aqui ande para cada item...

VIDA
"vai aonde te leva o coração". porque se não for com [o] coração, o que vale a vida?
CINEMA
"selected tales". gosto de filmes que me envolvam. que me virem do avesso. que me dêem um murro no estômago. sou selectiva :) [ou picuinhas]
LITERATURA
"a história interminável". uma citação deste livro que resume a minha paixão pela literatura: "todas as verdadeiras histórias são uma história interminável [...] há muitas portas para Fantasia, meu rapaz. há muitos outros livros mágicos." não há magia como ler. não há...
VIAGEM
"a volta ao mundo em 80 dias". se tivesse 80 dias e o euro-milhões...:)
AMOR
"persuasion". porque foi o primeiro passo. depois veio a confirmação.
SEXO
"olhos nos olhos". pele na pele. língua com língua.

conforto.

Quarta-feira, Abril 01, 2009

abro um dos livros que volto a trazer na carteira e dele cai uma folha para o chão. no topo esquerdo está escrito "sentimos o silêncio. e não nos incomoda...". e lembro-me pelas reticências que queria ter escrito mais. que queria ter explicado como o silêncio não intimida. não fica retido entre nós como um fantasma. que as palavras não são contidas. transpiramo-las naturalmente como gotas de suor. que por isso a sua ausência não é pesada. inspiramos e expiramos [n]as pausas delas.

despimo-nos de tudo. de segundas intenções. de temores. de máscaras. despimo-nos [um ao outro] pelas palavras.

e até quando nos despimos delas não nos sentimos nus.

ando por aí...

Sábado, Março 28, 2009

pé ante pé. antes de correr, temos de aprender a caminhar.

[ obrigada pelas vossas palavras a perguntar pelas minhas. aqui vêm elas, em pézinhos de lã novamente :) é estranho como o post anterior acabou por ser algo "divinatório" de um silêncio prolongado, de todo programado]

as palavras. (VII)

Quinta-feira, Fevereiro 19, 2009

sozinha no [meu] sossego do quarto sinto as palavras a redemoinhar à minha volta. vou-as apanhando uma a uma, aconchegando-as em ramalhetes simples, o mais simples possível. chamam-me da sala, onde as palavras dos outros me fazem, por momentos, esquecer a ordem das minhas. pego na caneta e só consigo escrever [vazio]. ponho as minhas coisas debaixo do braço e a meio do corredor já as sinto [às palavras], em pézinhos de lã, a voltarem comigo [para mim].

so[r]riso.


pode ser da alegria que tenho visto na cara dos miúdos, entusiasmados com os fatos de carnaval. pode ser pelo retorno do sol que levanta a moral logo ao acordar. pode ser pelas nette Besuche por aqui. pode ser por me lembrar das figuras que fizemos na sessão fotográfica deste dia. pode ser por achar que algumas amigas estão a precisar de um olá. apeteceu-me sorrir[-lhes] :)

f(r)ase.

Segunda-feira, Fevereiro 16, 2009

largava tudo pelas tuas mãos. e pela macieza das tuas costas.

[2001]

(a) caminho.

Quarta-feira, Fevereiro 11, 2009

posso não conseguir carregar contigo aos ombros porque és maior do que eu e nem ao David pediram para andar com o Golias às costas. agora como diz ali o Boss, se ficares para trás acredita que desacelero para me conseguires alcançar. em troca só espero que nessa tua pressa de chegares sempre a algum lado repares se não tropecei numa raíz mais saliente e me ajudes a levantar. sabes que ao contrário de ti trouxe para este percurso todos os mapas que tinha no baú. os dos caminhos já percorridos e os dos caminhos a evitar [cujos trilhos de certo modo se sobrepõem]. e as indicações meio confusas do território ainda não marcado. e por ser uma pessoa previdente [e se o que nos interessa é, além do destino, a viagem] muni-me de duas bússolas. uma vem na mala, a indicar o ponto de chegada. a outra [que vai mostrando o melhor rumo] guardei bem juntinho do coração. é do equilibrio das duas que vou escolhendo o percurso. não te admires se por vezes só te disser "direita" ou "esquerda". é porque o caminho é fácil e não é preciso complicar as indicações. e temos de nos entrosar como equipa. haverá decerto partes mais complicadas em que precisaremos de estar mais atentos. e vermos com calma onde pomos os pés.

sim(ples). (II)

Segunda-feira, Fevereiro 09, 2009

começas por usar frases grandiloquentes repletas de lugares-comuns para me convencer de que sim tens uma predilecção especial pela minha companhia. keep it simple, digo-te eu. se demoras mais do que um minuto a explicar que gostas do calor do sol na tua pele quando tiveres acabado de falar já ele arrefeceu. uma noite seguras-me na mão e dizes-me quase num sussurro: sinto-me bem a teu lado. e o mais simples que consigo é responder-te com um sorriso.

eu.aleatoriamente.

como dizia à M., depois dos pecados capitais, vêm os pecadilhos. e os desafios têm vindo ultimamente da rua dela...

... ora bem, seis factos aleatórios sobre a minha pessoa ...
  • não tenho sapatos. [tenho calçado de toda a espécie. mas detesto sapatos.]
  • não sei conduzir devagar. [também não ajuda andar sempre cheia de pressa.]
  • quero fazer uma tatuagem. [mas só quando achar a ideal.]
  • quando observada coro. [como se não houvesse amanhã.]
  • adoro decompor palavras. [e recompô-las à minha maneira.]
  • estou sempre atenta e tenho uma óptima memória. [anything you say may be used... :)]

memory lane.

Segunda-feira, Fevereiro 02, 2009

saímos assim para o frio da noite. antes de qualquer outro movimento abotoo a gabardine até ao queixo e faço uma dobra complicada no lenço por cima dela. puxo-te o fecho do casaco até cima enquanto ajeitas melhor o teu cachecol. ficamos parados por uns segundos até que me decido. vem comigo. vou mostrar-te a minha infância. no silêncio do escuro só se ouvem os meus passos pelas ruas que conheço há mais dias do que os que já vivi. e tu a meu lado pé com pé, mão com mão. a noite entra-nos em humidade pelos poros. e nós diluimo-nos nela em baforadas de ar quente. virar à esquerda. à esquerda. depois à direita. os paralelos da entrada da rua sempre saídos. já é feitio. da esquina aponto-te aquela casa grande. as portas cor de morango maduro. e como se intuísses algo moves-me dois milímetros para mais perto de ti. em dez passadas estamos lá. digo-te que deixei uma parte de mim naquela casa. num certo dia de um certo mês de um certo ano. aponto para as duas janelas mais próximas de nós. a sala. e vejo os vidros embaciados. como se houvesse vida lá dentro. ou a casa respirasse por si. rodo um bocadinho para a direita e digo baixinho [ainda não sei como conseguiste ouvir] ali é o pátio. e no silêncio da rua ia jurar ter ouvido um clac. o trinco. um rrrrrr. a abrir devagarinho. e sinto que me abandonam as palavras. olho de uma ponta à outra da rua. uma eternidade num segundo. e de novo em frente. e sinto as palavras a afastarem-se cada vez mais. respiro fundo. e tu abraças-me mais forte. viro os meus passos para o início da rua. e tu demoras por uns segundos os teus, silenciosos. a tentar perceber se tinha ficado mais um bocadinho de mim naquela casa. ou se tinha vindo mais um bocadinho dela em mim.


- faz hoje 5 meses, vó. e nunca vou deixar de ter saudades tuas.
- thank you for being there with me, in this stroll down memory lane.

poderia.

Quinta-feira, Janeiro 29, 2009

poderia falar dos teus dedos.
poderia descrever o teu sorriso embaraçado.
poderia dizer que os teus olhos são dois miúdos traquinas.

na verdade
prefiro esperar que o leias em mim.

da minha língua vê-se o mar.

Terça-feira, Janeiro 27, 2009

tenho um quotidiano confusa e claramente plurilingue. digo bom dia em inglês, respondo sem pensar a uma pergunta em espanhol com uma interjeição alemã. um segundo depois lá consigo recuperar a calma e a palavra mais adequada para o interlocutor em questão. uma conversa em português é perfeitamente complementada com expressões familiares em francês e surgindo determinados comentários em inglês o registo muda sem darmos quase por isso. no meio de tudo istp há conversas curiosas sobre as palavras, as línguas, a forma como elas se nos insinuam, a intensidade com que o fazem:
  • talvez isso te tocasse mais se fosse dito na tua língua...
  • não, não acho. já me disseram coisas semelhantes noutras línguas. o que importa é o que se diz, não tanto a língua que se usa. desde que se entenda.
mas, na verdade, fica-me a dúvida. será mesmo assim?


[intermezzo] (VI).


1. ando completa, arrebatada e perdidamente viciada nesta versão da If I should fall behind do Boss com a E-Street... [ e o Clarence a cantar .... ]

...
you and I know what this world can do
so let's make our steps clear that the other may see
and I'll wait for you
if I should fall behind
wait for me
...



eu. pecadora.

Sexta-feira, Janeiro 23, 2009

a M. desafiou. e eu não resisto a desafios :)

então aqui vai a definição dos pecados mortais sugerida:
  • gula: comer a toda a hora e/ou além do necessário
  • avareza: cobiça de bens materiais e/ou dinheiro
  • inveja: desejar atributos, status, posses e/ou habilidades de outra pessoa
  • ira: é a junção dos sentimentos de raiva, rancor e ódio. por vezes é incontrolável
  • soberba: falta de humildade, alguém que se acha auto-suficiente
  • luxúria: apego aos prazeres carnais
  • preguiça: aversão a qualquer trabalho ou esforço físico
e a minha relação com os referidos :)


gula
um ferrero rocher. mordiscar ao de leve o exterior e deixar a língua brincar com o recheio . uma fatia de ananás acabadinha de cortar. fresca e levemente ácida, o sumo a escorrer. uma sopa de peixe caseira. o barulho dos quadradinhos de pão torrado estaladiços. um pastel de natal enorme. cremoso, faz cócegas na língua.
avareza
tenho mais olhos para comprar livros do que tempo para os ler. cobiço ardente e fervorosamente os que ainda não tenho. mas são os bens materiais mais imateriais que conheço. também contam?
inveja
das palavras dos outros. que parecem escritas por mim. das fotografias dos outros . que desejava que fossem minhas. de quem conhece mais línguas. e mais mundos.
ira
raiva. frequente. rancor. ocasional. ódio. (altamente) improvável. a ira nunca irá ser incontrolável em mim.
soberba
aviso que vou montar um candeeiro. sozinha. e que nem vai ser preciso olhar para as instruções. na primeira aparafusadela faço tudo mal (de tudo o que poderia ser mal feito.) volto ao início. acho que sim, sou presumida. mas a vida (ou os parafusos) encarregam-se sempre de me pôr no meu lugar.
luxúria
olhos a olharem olhos. olhos a olharem lábios. lábios a olharem lábios. dedos a olharem a curva de um pescoço. a contornarem o traçado de um peito. mãos com mãos. cheiros com cheiros. pele com pele. há olhares que causam arrepios. há toques que os prolongam. há beijos que os eternizam.
preguiça
alarme dispara cedo. sempre cedo demais. carregar no botão pausa. 5 minutos. o grito aflitivo. pausa. 5 minutos....levantar à hora a que devia estar a sair de casa...
preciso de algo que está noutra divisão mas como está tão quentinho aqui não me apetece levantar? é porque posso deixar para amanhã. e isso não é preguiça. é definição de prioridades e contenção de esforços.

a quatro mãos.

Quarta-feira, Janeiro 21, 2009



ela fazia-lhe perguntas estranhas. ele queixava-se da dificuldade mas oferecia sempre mais um bocadinho de si nas suas respostas. ela fazia malabarismo com a clareza e a duplicidade das palavras. ele sugeria escalas e pedia-lhe quantificações de sentidos. ela sorria com a maneira como ele enrolava o "h" no início das sílabas. ele reparou no verniz imperfeito do indicador direito dela. ele queria apreciar a vista do último degrau. ela avisou-o de que quanto mais alto se sobe, mais dói o trambolhão. ele disse-lhe que não a deixava cair.

[ela respirou fundo.]

eu.já.

Sexta-feira, Janeiro 16, 2009

eu já...

  • amei em mais de uma língua
  • escorreguei e caí na neve
  • morei em mais de um país
  • apareci no jornal
  • chorei até me doer o peito
  • ri até ficar com soluços
  • cantei num coro
  • fui amada sem amar
  • amei alguém sem ter a coragem de lho confessar
  • deixei queimar um bolo
  • assisti a alguém morrer
  • copiei num teste
  • roí as unhas
  • implorei
  • tive uma exposição de fotografia
  • chorei no cinema
  • confiei
  • fui a melhor em alguma coisa
  • aprendi a escrever da direita para a esquerda
  • fui a muitos concertos seguidos do mesmo cantor
  • ganhei prémios
  • desconfiei
  • soube de coisas e agi como se não soubesse
  • fiz coisas de que me arrependi
  • me arrependi de não fazer coisas
  • peguei num livro e só o pousei depois de ter lido todas as suas 300 páginas
  • roubei
  • menti
  • andei à chuva até ficar ensopada
  • amei na rua
  • odiei
  • estive em 3 países diferentes em dois segundos
  • ...
...e parece-me que ainda fiz tão pouco.


[a febre desta lista de "já" já passou... mas eu gostei do desafio...]

espera.dor.



olhas através da vida como através de uma janela. contentas-te em ser espectador porque o papel de actor te parece trabalhoso demais. e traz consigo demasiados riscos. conformaste-te com tudo. o leite meio frio do pequeno-almoço quando não o tinham deixado ferver e demoravas a levantar-te; a meia amizade do João quando tinhas 14 anos e ele disse à Luísa que gostava dela, depois de tu lhe teres confessado que só conseguias ver os seus olhos ao adormecer, ao acordar; o abraço morno da tua namorada, não demasiado gélido para te congelar, mas quente de menos para te aquecer. no fundo, no fundo ainda sonhas vir a ser aquilo de que mais gostavas de te disfarçar no carnaval quando pequeno: super-homem. uma vida apagada. e, num rodopiar mágico, o homem mais forte do mundo. na verdade, na verdade sabes que nunca irás encontrar a tua cabine telefónica para mudar de pele.

um. brilhozinho.nos olhos.

Segunda-feira, Janeiro 12, 2009

tenho sorrisos que batem [fundo]
das palavras que ecoam cá dentro [beijos]
do teu coração que te escapa pelos dedos [longos]
em gestos que traduzem os batimentos [doces]
que o teu coração não consegue [ainda]
dizer ao meu [........]
tenho palavras a brotarem-me dos dedos.
tenho sorrisos a brotarem-me da alma.



[com um brilhozinho nos olhos a pairar-me nos lábios desde o concerto do Sérgio Godinho.
hoje soube-me a tanto. portanto hoje soube-me a pouco]


as palavras. (VI)

Quarta-feira, Janeiro 07, 2009

à custa de andar sempre à procura de talões, recibos, papéis e papelinhos para escrever comprei um caderno. metade liso, metade pautado. tamanho ideal [cabe milimetricamente na mala]. que sei que pouco irei usar. à custa de andar à procura de papéis pela carteira quando finalmente os encontro as palavras já estão maduras. caem sem custo na folha. encolhem-se em letras minúsculas para melhor se acomodarem entre a referência do produto e o IVA. o espaço e meio destas linhas [e o espaço livre destas meias páginas] causam-nos [ainda] o assombro de nem elas nem eu nos sentirmos maduras o suficiente para nos espraiarmos por ali.

passaram anos.

Segunda-feira, Janeiro 05, 2009


e porque há coisas para as quais só encontro as palavras dos outros... passaram anos, poderiam passar séculos... entendo o vosso rosto, passaram anos e ainda nos emocionamos, abrimos os álbuns de décadas passadas e as lágrimas coroam as memórias e os reencontros. há regressos que valem tudo. há regressos sem os quais não haveria passos em frente. há regressos que parecem nem ter nunca envolvido partidas.

amigo, não tenho perguntas para fazer-te, basta-me
olhar. passaram anos, poderiam ter passado mais
anos ainda. poderiam passar séculos.

entendo o teu rosto. isso basta-me quando te vejo.
para mim, serás sempre o príncipe, a criança que
me mostrou as árvores.

o tempo não passou, amigo. agora, ao chegares,
olho para ti. o teu rosto é igual. agora, ao chegares,
sei que nunca partiste.

josé luís peixoto


beijinhos, meninos, tot ziens & bis bald :)

dú.vida. (II)

e eu confesso que fico pasmada. com a confiança. e a insegurança. e o imediatismo. e a paciência. e o charme maduro. e o brilho travesso. e a calma. e o nervosismo. e a páginas tantas nem sei se estou a falar de mim ou de ti. porque bambeamos ambos nesta corda quando estamos um com o outro.

silence. 2009

Sexta-feira, Dezembro 26, 2008

há pouco tempo comentava noutro blog em que se perguntava "o que fazer das canções que associamos a determinados momentos" que as poderíamos (quando ouvi-las já não trouxesse qualquer tipo de sentimento incómodo) juntá-las à grande banda sonora que todos temos, de certeza, na nossa vida. depois de responder isso, reparei em como tinha "recuperado" para a minha playlist dessa altura dois temas que já não ouvia há alguns anos, mas que pareciam fazer algum sentido naquele momento.

[ I'm here, I'm real, it's true, I do exist ]

[ dann schenk mir diesen Tanz ]

a estes dois veio juntar-se um terceiro, que acaba por complementar o meu mood actual...

[ sin miedo, las manos se nos llenam de deseos]

fica aqui este post [e estas músicas, é clicar na imagem :)] a desejarem-vos, a todos, um 2009 como quiserem. mas definitivamente bom. é um conceito à partida estranho. deixar músicas de décadas passadas numa mensagem de ano novo. mas estas são um bocadinho de mim. e aos amigos costuma-se dar aquilo que consideramos mais valioso. de e para nós. não interpretem uma possível ausência até ao início de 2009 como desinteresse. estarei simplesmente a viver. offline. acompanhada por estas músicas. e outras que entretanto possam surgir ou não. às vezes também é preciso.

feliz.na.vida[d].

Terça-feira, Dezembro 23, 2008

e ... eis que este blog também adere à animação versão natalícia lançada pela thunderlady.

e só apareço aqui assim, porque a rapunzel diz que é a minha spitting image: um cachecol ou lenço, a máquina sempre por perto. e os livros (conheço pelo menos uma pessoa que acharia que o mundo estava a acabar se eu não tivesse um livro) perguntam vocês? lembram-se de falar não há muito tempo de embrulhos de cantos muito regulares que deixavam adivinhar o que continham? ah pois. hoje já recebi o primeiro. e inesperado. [thanks ;)].

se a imagem pudesse falar desejar-vos-ia felicidade. hoje, amanhã, no natal, no próximo ano. como não pode, desejo-vos eu por escrito :)

pre.liminares. (I)

abres a porta do restaurante para eu passar. afastas a cadeira ligeiramente, e voltas a encostá-la depois de me sentar. dás a volta à mesa e sentas-te à minha frente olhando-me pela primeira vez nos olhos. a ementa treme-te ligeiramente nas mãos (não sou só eu que estou nervosa?), mas quando me perguntas o que quero e fazes o pedido ao empregado já pareces seguro de ti como sempre. enquanto a comida não vem falamos daquilo que na brincadeira já tínhamos alinhavado como temas de conversa. trabalho. tempo. rubores. eu que sou mais calada fico por momentos quieta (eu não te avisei que isso poderia acontecer?) e tu fazes o que prometeste: ficas a olhar-me tempos infindos, até que não consigo senão soltar uma gargalhada e atirar-te com o guardanapo. sim, acho que foi uma boa maneira de quebrar o gelo...

im.paciências.

Sexta-feira, Dezembro 19, 2008

o avião galga os últimos metros até à porta 71. ponto de paragem. ainda antes do aviso do comandante já os passageiros impacientes desapertam os cintos e abrem os compartimentos superiores. só o do lugar 20 C espera. que todos saiam. levanta-se ao ralenti. põe a mala do computador ao ombro e sai, despedindo-se das hospedeiras. uma breve olhadela ao ecrã. dirige-se à banda 3 para levantar a sua mala. pausa. longa. ainda demora muito? pergunta um menino dos seus 8 anos. deve estar aí a aparecer, diz a mãe, um tique nervoso no olhar. um, dois soluços e a bagagem começa a surgir. o passageiro do lugar 20 C encosta-se a um pilar e traça uma perna sobre a outra. mala a mala vão desaparecendo as pessoas pelo corredor. surge a sua. sem movimentos bruscos, pega-lhe e começa a rolar lentamente para a saída. as portas opacas abrem-se. olha brevemente, vira à esquerda, pára. em câmara lenta pousa a pasta do computador no chão, larga a mala. e desagua todo o nervosismo, toda a impaciência, toda a ansiedade, toda a espera, todos os longos minutos de todos os longos anos. num abraço forte.

my boys and girls.


1. os vossos pézinhos já cresceram. passaram poucos meses, mas os vossos abraços já subiram um palmo em mim. tinha saudades vossas, boys e girls, tinha tantas saudades vossas.
2. sim, mariana [num abraço daqueles teus apertados] também eu queria, minha querida, também eu queria tanto.
3. claro que me lembro do teu nome, íris. a menina mais ciosa do acento no sítio certo do seu nome que conheci [a seguir a mim, claro :)].
4. tu deixavas-nos ligar-te e desligar-te. oh bea, quem te ouvir dizer isto...
5. continuas o mesmo, menino dos olhos cor do céu, continuas o mesmo.
6. andré, só te queria dizer que tenho a tua foto no fundo do meu computador do trabalho. fazes-me sorrir sempre que o ligo.
7. nenhum de vocês vai ler isto. mas sei que sabem que gosto muito de vocês.
8. obrigada, meninos. obrigada a todos.
9. [agora deixem-me só ir ali buscar um kleenex].

dú.vida. (I)

Terça-feira, Dezembro 16, 2008

porque é que as palavras que mais se nos entranham não são as que esperamos ouvir de um determinado alguém mas sim as que, vindas de nenhures, nos surpreendem e deixam sem reacção?

[intermezzo] (V)

1. chego à aula do 1º ano e aviso-os logo de entrada com o ar menos sofredor que consigo..."vocês lembram-se da semana passada em que estavam quase todos doentes? pois bem, hoje é a minha cabeça que está deste tamanho [abro os braços a tal distância um do outro que não chega sequer para demonstrar 10% do som do martelo pneumático a ecoar cá dentro mas que os põe a todos de boca aberta e olhos arregalados]. logo queria pedir-vos se hoje conseguimos treinar a música de Christmas e fazer a ficha o mais baixinho possível." e ao mínimo som de um deles, virava-se um colega, "shiiiiuuu, olha a cabeça da teacher". isso e os beijinhos que o terrorista do Ricardo, a Beatriz e a Bruna me fizeram questão de vir dar mal acabei de falar salvaram-me a aula. e a Tânia a ir dizer no intervalo aos meninos do 4º ano, "falem baixinho que a teacher tem a cabeça muito grande hoje" também ajudou a salvar o dia. conseguem ser uns diabinhos quando querem, mas you gotta love them sometimes.

[intermezzo] (IV)

Segunda-feira, Dezembro 15, 2008

1. será que levo tudo muito a peito ou tenho demasiadas coisas no coração?

(background song... something in my heart goes pip, pip, pip....)

futil.idades

dizes que tens de começar a ter cuidado quando me perguntas detalhes sobre determinada situação do dia anterior e eu te respondo com uma fiel descrição da apresentação de x e das palavras comprometedoras de y mas surpreendes-me ao dizeres com toda a convicção que gosto de castanho, de cachecóis e que o meu verniz na quarta-feira tinha uma falha na unha do indicador da mão direita. e eu que sempre pensei que os homens não reparassem tanto nisso, mas à cautela mantive o dedo bem escondido na manga do casaco, just in case. estando habituada a ser a parte observadora de qualquer diálogo sinto-me por momentos debaixo de um microscópio. tenho de ter cuidado, sou eu que penso desta vez. acabas a conversa a fazer-me confidências as quais esperas que se mantenham secretas e dizes que só as fazes porque confias em mim. coro e agradeço-te a confiança. mas só consigo pensar que tenho de ter as unhas bem pintadas da próxima vez que estiver contigo.

sauda.de.

Quinta-feira, Dezembro 11, 2008


saudade
< Lat. solitate, com influência de saudar
s. f., lembrança triste e suave de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de as tornar a ver ou a possuir; nostalgia.






acho que sempre tive saudades tuas.
mesmo quando não me lembrava de ti.

quando era natal.

quando era pequena íamos buscar musgo para fazer o presépio. era tarefa nossa, minha e tua. uma folha grande de papel pardo a proteger a alcatifa. camadas irregulares a desenhar vales e colinas. da prateleira mais alta do armário retirávamos caixas de linha âncora 6 branca presas com fita cola. com cuidado desembrulhávamos os restos de jornal e colocávamos as figuras em fila indiana. uma sem cabeça, outra sem cajado, dois reis magos inteiros e um estropiado, apesar da cautela do ano anterior. ali ficavam todas, silenciosas, à espera da guia de marcha para uma ou outra encosta. o estábulo. a estrela. um fio de luzes coloridas a serpentear à volta. a árvore já era tarefa só minha. tanto decorá-la como comer às escondidas os chocolates que lá eram pendurados por outras mãos. e voltar a dar forma (oca) à prata dos sinos e das pinhas. para que ninguém reparasse. quando era pequena do que eu mais gostava era do final da tarde do dia 24. as vossas vozes na cozinha, as vossas mãos a preparar a ceia. os cheiros que ainda hoje me gritam natal em qualquer período do ano. as luzes da sala apagadas. e eu, sentada ao lado da árvore e do presépio. fascinada com as cores. e o escuro. as cores. e o escuro. e as cores. e o escuro. e as vossas vozes. e as cores. e os cheiros. e tudo. acho que neste natal não consigo voltar a ser pequena. [e o escuro.]



há pequenos sons.

Quarta-feira, Dezembro 10, 2008

respondendo ao desafio deste gajo, que me convidava a agarrar no livro mais próximo, abri-lo na página 161 e copiar para o blog a quinta frase completa ... ao quinto livro aberto lê-se:

Há pequenos sons que assentam sobre o silêncio.

[José Luís Peixoto, Cemitério de Pianos]


e de tanto escrever sobre silêncio, pausas, momentos, palavras, sons...acho que não poderia ter "surgido" melhor frase para este desafio.


somos.

abro o livro que trago na mala numa página a três quartos da capa e leio algo sobre as certezas de sabermos quem somos na madrugada que construímos. com as nossas mãos e os silêncios entre as nossas palavras. e penso em todos os momentos em que me fiz depender das palavras de outrem. nas esperas por aquelas que só surgiam em momentos de fragilidade alheia. nos excessos de zelo que tornaram outras banais. nos silêncios gastos por tanta inquietude. nas mãos [o que mais recordo das pessoas que se cruzam comigo são as mãos. gosto de mãos. do que fazem. mais ainda do que poderiam fazer se cumprissem as promessas que trazem em si. ] que deixaram as minhas vazias. não dando nada. nem o seu calor. neste segundo em que me perco pela janela e sinto, mais do que vejo, o cair da noite sobre o caminho, penso em todas as palavras que não me foram ditas senão a custo ou repetidas até à exaustão. nos silêncios que a ausência delas poluiu. nas mãos repletas de toques sempre rasgados. e sei que não iremos ter pressa. nem medo. eu e tu. de pronunciar as palavras na altura certa. sejam quais forem as correctas para nós e seja o momento a estação que tiver de ser. porque nas nossas mãos (embora vazias) correm os gestos de que sabemos ser capazes. porque os nossos silêncios nunca serão ausentes de sentido nas madrugadas. porque tu e eu somos feitos de todas as pessoas que sentimos. de todas as que vivemos. e temos ambos consciência disso.



nas linhas. a teus pés.

Quinta-feira, Dezembro 04, 2008


saltas, balanças, fazes bailar os teus pés entre claro e escuro. a tua vida tem sido provavel e agradavelmente linear, sem as curvas bruscas ou inclinações acentuadas que marcam estações de dor. brincas com a geometria da vida, sem te deteres por mais tempo do que o necessário em qualquer dos seus momentos. aprendeste bem cedo a imprescindível arte do equilíbrio. parabéns, miúdo! o futuro? está à tua frente, desculpa não to poder mostrar... mas desejo que continues sempre assim. que os pretos nunca sejam demasiado escuros e os brancos não te encadeiem demais. não queremos que percas o teu percurso de vista não é? obrigada por este momento :)

[Dortmund, 17.06.2005]

as palavras. (V)

pedes desculpa por usar sempre as mesmas palavras para falar comigo. e eu nem te confesso que de cada vez que te ouço a mais simples delas me (des)faço em sorrisos.

sim(ples).

Quarta-feira, Dezembro 03, 2008

bilhetinho apanhado este ano.


1. menina ... elegante, elegante. [vai lá escrever umas 15 vezes no caderno].
2. para fazer (n)amor(o) ainda és muito nova.
3. se isto já vai assim agora, como será quando chegar a Primavera?
4. [*suspiro*].


e um do ano passado.


rui, gosto de ti por amor.
queres namorar comigo?

sim [ ] não [ ]



1. pergunta que se impõe ... a partir de que idade é que começamos a complicar as coisas?

diálogo. (VI)

Terça-feira, Dezembro 02, 2008

  • a amiga: e por falar nisso, já falaste com ele?
  • ela: não. mas também não quero. está mais do que na hora de virar essa página de vez.
  • a amiga: ainda está aberta?
  • ela: hum ... está com uma beira dobrada.

[soube tão bem fazer uma leitura a dois corações das páginas, dos capítulos e dos livros das nossas vidas. dos que lemos num ápice. daqueles em que nos perdemos. dos que se perderam em nós. (e daqueles que querem ser lidos). temos de pôr assim a leitura em dia mais vezes. ]

anda morder-me. o coração.

Segunda-feira, Dezembro 01, 2008

do lado oposto da sala, fitas com interesse um ponto ligeiramente acima do meu ombro esquerdo. [os teus olhos acariciam o contorno de um pescoço, de um colo emoldurado a preto e branco].

do lado oposto da sala fechas o livro que tens na mão, pousa-lo com cuidado no braço do sofá. [algumas palavras ficam agarradas. levar-te. aos dedos. à boca.]

do lado oposto da sala cruzas a perna direita por cima da esquerda com ar indolente. [retesam-se os músculos das tuas coxas. todas as tuas terminações nervosas em alerta]

do lado oposto da sala fixas o teu olhar ocioso nos meus dedos nervosos. [e esticas os teus devagar, para deles disfarçar a inquietude]


do lado oposto da sala dizes anda, anda morder-me o coração.

e o outro lado da sala oposto ficou. de repente. no lado oposto. da sala.



(a frase anda, anda morder-me o coração lida em Morder-te o coração, de Patrícia Reis.)

hoje.

Sábado, Novembro 29, 2008

estive para deixar passar o dia de hoje sem palavras (minhas). mas não resisti a alinhavar um balanço. sim, admito. tive medo deste número. 30 é demasiado redondinho para não assustar. mas chego a este ponto e confesso que gosto (mesmo) de quem (me) vejo. lembro-me deste dia há dez anos atrás. de onde estava, das pessoas que estavam comigo. restam-me duas (erinnert ihr euch, c. und l.?) que mais de perto ou mais de longe me foram acompanhando. gosto muito (gosto cada vez mais) de vos ter na minha vida.

e o facto é que, desde então...

tive professores fantásticos e alunos inesquecíveis. amei e fui amada. sofri e fiz sofrer. parti e vi partir. vivi em partes quase iguais em dois países. cresci em cada um deles. de formas diferentes. em línguas diferentes. descobri o prazer de fotografar. que sei que ficará para sempre comigo. li vidas e vivi histórias que davam livros. conheci pessoas extraordinárias. que acreditam no vento e no imprevisível. que sentem as palavras como eu as sinto. que, apesar de terem vivências completamente diferentes, me compreendem e desafiam. esqueci e descobri o prazer das palavras. perdi pessoas que amava, desde que a vida é vida e desde que eu sou gente. tive medo, muito, de perder pessoas que amo desde a mesma altura. (nunca me senti tão impotente para proteger quem me é querido). descobri a fragilidade e a fortaleza. resgatei forças que não sabia que tinha. depois de ter perdido coisas que nunca teria suposto vir a perder. verti muitas lágrimas. e surpreendi muitos sorrisos. encontrei o prazer da alegria espontânea com amigos. e revi-me a mim própria tantas vezes nas solitárias palavras sentidas de desconhecidos. deixei partes de mim para trás. e fiquei mais forte por as ter querido deixar. descobri que nunca, mas nunca mais, irei abdicar de coisas que fazem de mim quem eu sou. para completar alguém. decidi-me muitas vezes pelo "road less taken" e. embora pudesse ter evitado alguns dissabores caso não o tivesse feito. nunca poderia de outro modo estar aqui. agora. a dizer: venha mais uma década. i'm ready :)


[este balanço ficou longo. posts assim só para daqui a dez anos, prometo :)]


trilog.ia.

Quinta-feira, Novembro 27, 2008

e lá vai começar o meu mundo. guten morgen! novamente. again. a desenrolar-se em três línguas diferentes. numa cadência regular. 3 to 5 times a week. qualquer dia preciso. good afternoon. de um dicionário. wörterbuch. para me entender a mim própria. be quiet. a sorte é que. eins zwei drei. no meio disto tudo. sit down. há-de haver sempre alguém que me entenda. gute nacht.

pecado.


alimentavam-se das histórias alheias, do que supunham adivinhar num olhar, num gesto.
escrevi eu por aqui um dia destes. dei-te isto a ler. o desafio velado. esquadrinhas bem alguém. de certeza. pelo que diz. ou faz. o desafio directo. então lê-me. o que viste tu nas linhas do meu rosto hoje? (d)escrevi-te. isto. e isto. e mais aquilo. e talvez isto. assustador, disseste tu. assustador? sim. certo. e certo. e certo. e reparas na mais pequena palavra. é a vantagem, de se ser uma boa ouvinte, respondi eu. (ou uma falante tímida, esqueci-me de acrescentar). então tenho de ter muito cuidado com o que digo. não precisas, respondi. eu não sou má pessoa.

[mas não te confessei. o meu maior pecado. que é sorver(-te) as palavras. e surripiá-las para aqui].

branduras.

Terça-feira, Novembro 25, 2008


eu calo. tu calas. nas pausas falam(-nos) os brandos gestos.

(problema de) expressão.

[sabias que]. naquele tempo a tua voz tinha um tom difuso. as palavras eram algo trocistas. como se não fossem suficientemente claras. para o que querias dizer de ti. nos silêncios sempre te ouvi melhor. nos silêncios a língua que não falávamos era nossa. [sabes que]. hoje a tua voz arrisca novos sons. numa língua (tão tua) e noutra (só minha). entre as tuas palavras que entretanto aprendi. e as minhas que agora, cada vez mais, recordas. deixemos as línguas falar no silêncio por nós.

coração.

Segunda-feira, Novembro 24, 2008

.... seguindo o teu raciocínio de como a língua portuguesa funciona, coração seria máquina de amar....

[...faz sentido. quando lhe pomos pouco amor é um desperdício de energia, quando lhe metemos amor a mais é uma sobrecarga...]

sonho.

Domingo, Novembro 23, 2008

e pronto, quando um gajo qualquer nos desafia até parece mal não responder.

vou-me limitar a escrever a lista de oito coisas de sonho. quem quiser, sinta-se convidado a fazer o mesmo.

sonho (não há ordem nos sonhos)...

1. ver as pessoas que estão no meu coração felizes e saudáveis.

2. ter uma casa com uma "biblioteca". um espaço para os meus livros. um sofá confortável.
3. viajar. à Irlanda (viagem prometida há muito, nee sis'?). ao resto da Europa que ainda não conheço. daí à conquista do mundo. gastar a bateria da máquina a fotografar. e os cadernos a registar memórias e impressões.
4. ser feliz. por mim. encontrar a pessoa que me fará mais feliz. por partilhar a sua vida comigo. e a quem farei feliz. por estar a seu lado.

5.
ter um trabalho que me realize e desafie. ok, se calhar, o meu :) mas que seja estável.
6. morar perto do mar. ou ter pelo menos uma casita por lá :)
7. continuar a ter a amizade das pessoas que estão "aqui" para os sorrisos, as palhaçadas, as lágrimas, as paranóias. das que (se) importam.
8. seria pedir demais....ganhar qualquer coisita no euromilhões? é que dava j
eito para alguns dos outros sonhos...



mão.

Sábado, Novembro 22, 2008

despedes-te de mim com um gesto de adeus. e levas-me na palma aberta da tua mão.

[intermezzo] (III)

1. é inevitável. não há sábado de manhã sem sol. a janela aberta de par em par.
2. nem sem estes senhores. em repeat mode por aqui.

well it's been a long time, long time now
since I've seen you smile.

and I'll gamble away my fright.

and I'll gamble away my time.
and in a year, a year or so,
this will slip into the sea.

3. imagens em directo da neve europeia. palavras do calor do hemisfério sul. é bom ter amigos espalhados pelo mundo. à distância de um click.
4. day one. de uma nova morada. minha.

menina.

Sexta-feira, Novembro 21, 2008

sabes que fico com pele de galinha cada vez que te ouço arredondar as vogais de menina quando me dizes olá?

same time. same place.

passavam a hora de almoço assim, sentadas naqueles degraus. já todos os amigos sabiam onde encontrá-las. 5 dias por semana. same time, same place.
preferiam mordiscar maçãs a ir almoçar com os outros. para melhor observarem as pessoas. alimentavam-se das histórias alheias, do que supunham adivinhar num olhar, num gesto.
e aquele? combinou com os amigos. mas tem medo que eles não esperem, é sempre o primeiro a chegar. por isso caminha assim, como se receasse que tudo, incluindo os passos que dá, lhe fujam. aquela loira de azul, ali no meio do grupo, tem um fraquinho pelo rapaz de vermelho. mas se o de castanho a abraça... sim, mas repara que quando o de vermelho fala, o olhar dela parece corar e desvia-se para as mãos dele...
levavam sempre um livro na mochila. abriam-no solenemente, após a primeira trincadela na maçã. duas páginas (ou dois parágrafos depois) uma dizia algo e os olhos da outra fugiam das palavras. pousavam os livros no colo. semi-abertos, com um dedo a marcar a página. até este ser preciso para dar ênfase a qualquer palavra mais sentida.
eram tratados filosóficos em movimento. o tempo? é um ovo. definitivamente. o verão e o inverno as suas curvas mais largas, as noites demoram-se mais. das de verão não queremos ver o fim. no inverno, elas não se querem finalizar. nos pólos, as folhas do outono caem rápido de mais para as apanhar. e as flores desaparecem em frutos quando ainda não nos tínhamos habituado a elas.
sofriam frequentemente de coincidências de pensamento. quando uma dizia mata, a outra já tinha começado a esfolar. os segredos de uma eram os segredos das duas. aliás, não havia segredo que se escondesse por muito tempo aos olhos da outra.
nunca foram assim tão parecidas. os amigos (os mesmo, mesmo amigos) conheciam-nas bem. mas todos os outros as confundiam. como se de passarem tanto tempo juntas se tivessem tornado numa unidade. com dois nomes.
à custa disso ficaram irmãs. para a vida.

haja silêncios.

Segunda-feira, Novembro 17, 2008


haja silêncios como houve hoje luz dourada. aquecia o vento que não se sabia em novembro. fechei os olhos e só havia o calor. da luz. no meu rosto. disseste já não te lembrar de como era belo. o mar. o céu. o sul. e o silêncio [o teu ao ver a praia. e o da praia ao não te sentir ali.]

quando eras pequena.

Domingo, Novembro 16, 2008

quando eras pequena trepavas para o ramo mais próximo da nespereira e dependuravas-te sobre o muro alto, num desiquilíbrio ameaçador. mas sorrias. nessa idade os fascínios superam os medos. lembro-me de ti sempre a sorrir, o cabelo liso, as faces sempre coradas das correrias, as batas sempre sujas das brincadeiras. contavas-me que gostavas de andar no baloiço, porque ao subir, cada vez mais alto, com cada vez mais balanço, te sentias chegar mais perto do teu avô. que diziam velava por ti como um anjo no céu. andavas sempre de volta das papoilas, encantava-te o vermelho rubro delas, mordiscavas o caule durante horas. quando eras pequena deixaste de dormir à tarde como as outras crianças. não conseguias, simplesmente. não sei se tinhas medo que não te fossem buscar ou se te confundia nessa altura já o dormir enquanto ainda havia luz. de noite os sonos são mais calmos, dizias-me com a certeza dos teus 4 anos. quando eras pequena pintavas malmequeres com os dedos mas fazias questão de assinar o teu nome com lápis de cor (que agarravas sem prática mas com convicção) com todas as letras, como gente grande. pedias todas as noites que te contassem histórias que já tinhas ouvido vezes sem conta. e encontravas encantos em cada palavra, como se fosse a primeira vez. quando eras pequena ias ao canteiro dos morangos, no tempo deles, escolhias um mais vermelhinho, esfregava-lo na manga da camisola e trincavas, milímetro a milímetro. sabias que tanto podia ser já doce como ainda amargo. mas que se não arriscasses nunca lhe saberias o sabor.

chave.

Sábado, Novembro 15, 2008

procuro a chave do baú pelas gavetas da escrivaninha. sempre escondi as coisas que me resguardam nos sítios mais improváveis. tão incertos que nem eu própria lhes encontro o rasto. a calma transforma-se em ânsia. os dedos inquietos amarfanham, abrem, reviram, retorcem. encontro-a no meio de clips coloridos. tão habilmente escondida. ou tão banal(izada) como eles. clic. rodo-a no cadeado. desliza muito mais ligeira do que os meus sentidos. inspiro. das colunas sai a thunder road em repeat mode: you can hide 'neath your covers, and study your pain, make crosses from your lovers, throw roses in the rain. expiro. e abro a tampa. só queria guardar as coisas que me ficaram de ti. o primeiro batimento cardíaco precipitado. a primeira palavra surpreendida. a primeira nudez envergonhada. (as últimas já não me pertencem. as últimas não pertencem a ninguém). ali. num instante fico rodeada de sorrisos amarelecidos e palavras rasgadas. there were ghosts in the eyes, of all the boys you sent away. o chão um mar de papéis esfacelados, sentimentos cansados, gestos fora do prazo de validade. e eu a flutuar. tento separar cada capítulo. ordenar. lembro-me das palavras de alguém numa noite. de como as histórias da nossa vida se fundem. por mais que as tentemos conter. num espaço e tempo. desisto. e junto-te às outras. fecho a tampa. guardo a chave numa caixa de agrafos. respiro fundo. a tempo de ouvir os acordes finais. and i'm pulling out of here to win.

diálogo. (V)


  • ele: tu que és gaja, não me arranjas aí um manual para entender as mulheres?
  • ela: falam, falam das mulheres mas olha que os homens ... complicadinhos...
  • ele: homens são fáceis
    a maior parte quer: sexo
    perdão
    todos querem: sexo
    depois há uns que pensam: OK, quero sexo mais vezes
    e outros que pensam: uma vez foi suficiente

linhas.

Quarta-feira, Novembro 12, 2008


troco os passos nos espaços desta cidade. caminho incógnita pelas ruas, consciente somente do ponto de partida e do nome, que te marca, tatuado no pedaço de papel, cheio de setas, exclamações e sublinhados (tinhas medo que não reparasse nele?). ninguém me conhece. (já) não reconheço ninguém. vasculho as esquinas à procura da tua rua. não ficava tão longe da linha, não tão perto da igreja. volto atrás e reescrevo os meus passos. uma, duas vezes. lembro-me de uma faia num jardim vizinho. os ramos quase tocavam a janela do teu quarto. dizias que o vento à noite te arranhava os vidros com eles. passo por carros, sinto luzes a passarem por mim. lembro-me desta ponte. ali, naquele banco (parece ter sido ontem) sorriste e desejaste-me boa viagem. apresso o passo. naquela esquina, emprestaste-me um livro que nunca te devolvi. à entrada daquela casa (reconheço-a agora, ainda tenho a chave guardada num porta-chaves qualquer) trocámos, pela primeira vez, olás, nomes, e sorrisos. daqui os meus pés já conhecem o caminho, de olhos fechados. traço longo, risco, traço curto, risco, curva, traço longo, risco, traço longo... abro os olhos e estou diante da tua porta. sinto, sem olhar, a sombra da faia do lado direito. penso em todas as palavras que nunca te disse e em como elas ainda queimam, tanto tempo depois. em todos os gestos que treinei na tua ausência, para nunca (o)usar em ti. inspiro. um passo. inspiro. toco à campainha. numa eternidade que não dura mais de dois segundos, abres. o tempo acrescentou linhas, grão e ruído ao retrato que tenho de ti. (estás diferente). os teus olhos continuam brilhantes e travessos. (estás igual). [silêncio]. pegas nas minhas mãos e dizes-me, sem deixares de me olhar nos olhos, sê bem-vinda.

instante(s).

Domingo, Novembro 09, 2008


um telefonema. da distância.

um sorriso. (re)conhecido.
olhares. relembrados.

as palavras. sobre as nossas palavras.

a confiança dos outros. em nós.

os amigos. à distância. dos dedos.

[é bom ter instantes de domingo assim...]


[war sehr schön, mit dir zu plaudern :)]

[intermezzo] (II)

Sábado, Novembro 08, 2008

1. sábado de manhã. o sol a entrar, sem pedir licença, pela janela aberta de par em par. do local de trabalho. em novembro.
2. uma música em repeat (encore une fois): A Sunday smile you wore it for a while...
3. 250 GB de recordações num disco externo. que não apetece organizar.
4. um dedo a passar pelo papel rugoso das palavras de Frost: The woods are lovely, dark and deep, But I have promises to keep, And miles to go before I sleep, And miles to go before I sleep.
5. os minutos vão passando assim, sem dar por isso ... daqui a pouco já é fim de semana...



[sim, eu sei que isto assim nem soa a trabalho....]

adágio.

[acompanhar com Barber's ...]
  • Adágio for Strings


  • os primeiros acordes espalham-se como neblina pela sala. alastram pela casa vazia. de olhos fechados (nunca o ouviu de outro modo) toma-a de assalto. a mão direita vai ondeando segura com movimentos leves pelo ar. conhece todos os passos, antecipa-se a cada crescendo. a esquerda aperta ainda a chávena de chá fumegante. por dentro das pálpebras vai surgindo uma curta metragem surda. dedos. maçãs verdes. mãos. tapetes. olhos. palavras. dentes. livros. almofadas. cálices. jogos. sonhos. sombras. recorda-se de ler que só nos lembramos do amor e de paixões deste modo assim, fragmentário. [00'12''] memórias do primeiro beijo, aquele a sério que torna as pernas bambas e o estômago num furacão de borboletas. [00'40''] indefinidas e confusas recordações de homens que a tomaram. memórias de homens a quem amou, uma primeira vez na distância [01'17''], e uma segunda vez na proximidade [03'52'']. o vapor do chá vai subindo (faz cócegas no nariz) ao mesmo tempo que a mão direita se continua a elevar ao som da música. [05'11''] "tu", numa exclamação de surpresa que leva os seus dedos bem acima da linha da sua face. o único, de todos os homens que a tocaram, que nunca lhe pediu nada em troca. para além das suas mãos. e por isso lhe deu tudo e nada. num momento.


    [07'05''] pausa. presente. a mão suspensa no ar.


    e que por isso se tornou charneira. entre o passado e um futuro [07'13''] que usa os mesmos acordes porque ela não sabe viver de outra forma. [10'17''] abre os olhos. e o tom verde neles é, desta vez, simplesmente de esperança. nos dias. e em quem eles trouxerem.

    diálogo. (IV)

    • ela: deves ser o meu primeiro amigo gajo assim
    • ele: deves ter andado a conhecer as pessoas erradas

    há quem diga.

    Sexta-feira, Novembro 07, 2008


    há quem diga que o lugar que escolheste deixar só se honra em estar desocupado. ou em não estar ocupado por ti. é estranho, mas o certo é que, desde que saíste de casa, o gladíolo voltou a florir. o dia amanhece mais radioso, ou os vidros das janelas a nascente parecem mais transparentes do que quando tu as abrias de par em par. perdeu-se o som dos teus passos a subir a escada, dobrar a esquina e abrir a porta do quarto com a impaciência dos eternos insones. mas, no silêncio que cobre cada canto, seja no bulício do dia ou no sossego da noite, ouvem-se rumores de vida a renascer. a aldraba da porta não cessa de bater por dedos amigos que trazem no olhar palavras de outrora. juro-te que até os livros que tínhamos colocado na estante de canto ao lado da lareira se meneiam encantados quando ninguém está por perto. não sei por onde andas, só sei que de teu na tua poltrona favorita só ficou a suave linha do braço direito para onde tombavas quando adormecias e a foto que nela te tirei um dia e que me fizeste prometer nunca mostrar a ninguém. hoje peguei num bloco de notas, numa das canetas mais suaves que tenho, sentei-me no teu lugar e recordei palavras que não acariciava desde que te beijei pela primeira vez. há quem diga que o lugar que escolheste deixar só se honra em não estar ocupado por ti. e eu, desde que reencontrei palavras que tinham estado adormecidas há demasiado tempo em mim, começo a concordar.

    diálogo. (III)

    • ele: eu sou
      o teu reality show preferido
      não sou?
    • ela: definitivamente....
      mas só porque eu não vejo televisão.

    me. by the boss.

    Seguindo o desafio indirecto da minha querida Rapunzel, aqui vai a minha vida em títulos de canções. Foto não será necessária [quem quiser alguma que peça ;)]. Já há duas por cá, e sempre ouvi dizer que os olhos são o espelho da alma. Também não desafio directamente ninguém . Be my guest :)
    • Cantor:
      Bruce Springsteen
    • És homem ou mulher?
      Give the girl a kiss
    • Descreve-te:
      All that heaven will allow
    • O que as pessoas acham de ti?
      Magic / Spirit in the night
    • Como descreves o teu último (antes do actual) relacionamento?
      Blinded by the light
    • Descreve o estado actual da tua relação com o teu namorado ou pretendente:
      A good man is hard to find
    • Onde querias estar agora?
      Secret Garden
    • O que pensas a respeito do amor?
      All or nothing at all
    • Como é a tua vida?
      Leap of faith
    • O que pedirias se pudesses ter só um desejo?
      From small things (big things one day come)
    • Escreve uma frase sábia:
      It’s hard to be a saint in the city

    [intermezzo] (I)

    Quinta-feira, Novembro 06, 2008

    1. um beijo. de parabéns. do tamanho do mundo. para o primeiro homem. da minha vida. o meu pai. só não conseguiu que fosse do benfica. de resto partilhamos as mesmas paixões. e o mesmo temperamento :)
    2. yes, we can. acredito. quero acreditar (num mundo melhor). porque tenho pessoas a quem dou beijos do tamanho do mundo. e o mundo tem de começar a valer os beijos que dou.
    3. e porque acredito em sonhos. e acredito em pessoas que acreditam em sonhos. e acredito que pessoas que acreditam em sonhos merecem sempre ser felizes. espero que sim.
    4. d., és capaz de ser responsável pelo piropo mais surreal. que recebi nos últimos tempos. é bom ler-te de volta, mon ami :)

    .... o blog segue no seu formato habitual dentro de momentos .....

    diálogo. (II)

    Quarta-feira, Novembro 05, 2008

    • ela: mas qualquer dia dá-me na telha e faço isso
    • a amiga: não tens grande coisa a perder
    • ela: não tenho
      só tenho de engolir o orgulho
      e de momento...
      devo estar com amigdalite
      não consigo

    houve.


    houve um tempo em que não tínhamos medo de qualquer caminho. em frente, abrindo o peito às palavras e às lâminas, seguíamos. dedos em dedos, flanco com flanco. houve um tempo em que sermos nós chegava. para avançarmos pelos trilhos, ou recuar pelos atalhos. houve um tempo em que o destino se revelava ao virar de cada esquina. no transbordar de qualquer encruzilhada. houve um tempo em que nos bastava. ser o tempo e sermos nós.
    hoje o tempo transborda de lâminas que abrem o peito como palavras. hoje há atalhos que se viram nos dedos, seguem e, de medo, rasgam os flancos. hoje o destino avança no tempo em trilhos que recuam. toda e qualquer encruzilhada, neste tempo, já basta para o tempo deixar de ser o tempo, para nós deixarmos de sermos nós.
    (e isso) basta.

    diálogo. (I)

    Terça-feira, Novembro 04, 2008

    • ela: estou a arrumar a vida e o quarto
      que confusão
      mais no quarto
    • ele: se precisares de ajuda na vida avisa

    trago.

    trago. nos olhos. distâncias.
    (que ainda não acolhi).
    trago. nos pés. caminhos.
    (que ainda não percorri)
    trago. nos dedos. palavras.
    (que hão-de ancorar-se em ti)




    gostos.

    Segunda-feira, Novembro 03, 2008

    gosto do cheiro da terra quando chove.
    gosto das poças de água. do piso molhado que faz escorregar os olhos.
    gosto do nascer do sol. do silêncio da luz a crescer.
    gosto das noites de verão, do vento quente que tudo invade.
    gosto de me perder num livro. de dirigir o filme na minha cabeça.
    gosto de invejar o que os outros escrevem. das palavras que gostaria de ter escrito.
    gosto de brincar com as palavras. de deixar que me surpreendam.
    gosto de fotografar. de guardar os meus momentos. para mim.
    gosto de ouvir uma música nova. até à exaustão ou até ela se entranhar.
    gosto das recordações das músicas do passado.
    gosto de ficar na cama depois de acordar. aconchegar o edredon com música.
    gosto de olhar para os riscos de luz na cortina.
    gosto de pés enroscados em pés. de pele com pele. calor.
    gosto de me lambuzar com gelado de chocolate. de lamber a colher.
    gosto de trovoada. da luz. do barulho. da força.
    gosto de toques. de dedos nos meus dedos. nos lábios. em mim.
    gosto do cheiro do mar. do sal na pele.
    gosto de falar com velhos amigos. das saudades.
    gosto de frases como "já não te vejo há muito tempo" mas "nunca me esqueci de ti".
    gosto de falar com novos amigos. que sentem como se fossem velhos (amigos).
    gosto da inocência das crianças. dos beijos que dão. porque sim.
    gosto que tentem destapar aquilo que não digo.
    gosto de tactear a alma de quem tenho ao lado.
    gosto de surpresas. e de evidências.
    gosto de arder. e de acalmar.
    gosto que me desafiem. e me dominem.
    gosto de pôr o volume do auto-rádio no máximo. e berrar.
    gostas?

    algumas histórias intermináveis.

    Domingo, Novembro 02, 2008

    - Todas as verdadeiras histórias são uma História Interminável! - Passou os olhos pelos muitos livros empilhados até ao tecto nas estantes que tapavam as paredes e depois disse, apontando para eles com a boquilha do seu cachimbo:
    - Há muitas portas para Fantasia, meu rapaz. Há muitos outros livros mágicos. Muitas pessoas nunca dão por isso. Tudo depende da pessoa em cujas mãos cai o livro.
    - Então, a História Interminável é diferente para cada um?
    - É isso mesmo - disse o senhor Koreander. - Além disso, não são só os livros que levam a Fantasia, há outras possibilidades de ir até lá e voltar. Hás-de vir a sabê-lo mais tarde.

    Die Unendliche Geschichte, Michael Ende

    sim, há. algumas possibilidades. além dos livros. raras, mas há.

    em relação a estes vi a ideia concretizada noutros blogs e achei bastante interessante. aqui estão, então, algumas das minhas histórias intermináveis:

    recado. (II)

    Sábado, Novembro 01, 2008

    Querido M.

    Ia a meio caminho de casa quando me lembrei que tinha acabado de passar na tua rua.

    Beijo

    A.

    P.S.: Nem reparei que estava a passar lá . (Isso) foi bom.

    as palavras. (IV)

    Sexta-feira, Outubro 31, 2008

    por elas, através delas, com elas fazemos tudo.

    e elas fazem tudo de nós.

    alternativa

    acabei de descobrir um local em aveiro onde passam filmes que realmente me chamam a uma sala de cinema (os que não fazem parte dos cartazes da Lusomundo e aqueles que nunca ninguém quer ir ver connosco). como agora te compreendo, violet, tenho de me mudar para a capital para irmos fazer companhia uma à outra nas salas de cinema ...


    quem quer vir? :)

    as palavras. (III)

    Quinta-feira, Outubro 30, 2008

    um dia disse isto:

    acho que os meus momentos de decisão são marcados por coisas que escrevo. pode parecer estúpido mas tem sido assim...

    e responderam-me:

    nao é nada estúpido! é assim mesmo...

    e eu fiquei a pensar:

    e se algum dia me faltam (as) palavras? (para quem está tão habituada a sentir com elas)

    little people.

    - Teacher, sorri.
    - Ahn, what Gonçalo?
    - Sorri. Faz um sorriso.
    (desnecessária descrição da minha tentativa de sorrir sem perceber aonde o rapaz queria chegar)
    - Ah, tens um dente de vampiro. É por isso que sorris pouco.
    - .....


    (Ao menos o miúdo é observador. Para aluno do 1º ano nada mau. A referência aos vampiros é decerto por estarmos a falar do Halloween, cof cof )


    - Oh, Teacher.
    - Diz, Inês.
    - As tuas unhas estão muito bonitas. Como pintas, com marcador?
    - ....


    E pronto. Fora os momentos em que me apetece seguir a máxima de uma mãe ("ele vai para a sala com duas orelhas, faça uso delas") eles até conseguem ser engraçados, imprevisiveis e queridos. Às vezes. Mas não se pode sorrir muito, senão o Gonçalo abusa.

    little things.

    Quarta-feira, Outubro 29, 2008

    hoje deram-me um tazo (um hiper raio n 150), um beijo muito repenicado e levaram-me a mala até à sala.
    little people do strange cute little things :)

    7.30

    Terça-feira, Outubro 28, 2008

    abro a porta do prédio e mergulho na manhã. o ar frio faz-me cócegas no nariz. subo o fecho do casaco até ao queixo e estico as mangas até me taparem as pontas dos dedos. dou uns dez passos. entro no carro. respiro fundo e ligo o rádio. dez minutos depois o sol ergue-se para lá do Caramulo, atravessa a neblina e rebrilha no fio de água que vai no Vouga. o rádio vai debitando:

    I used to roll the dice
    Feel the fear in my enemies' eyes
    Listened as the crowd would sing
    Now the old king is dead, long live the king
    One minute I held the key
    Next the walls were closed on me
    And I discovered that my castles stand
    Upon pillars of salt and pillars of sand


    e eu penso na (suprema) ironia da vida. e sorrio. gosh, it feels great to be alive.


    recado. (I)

    Segunda-feira, Outubro 27, 2008

    Querido M.

    Tens o jantar no fogão. A roupa está passada e pendurei a camisa no armário para não se enrodilhar. A conta da luz deve chegar amanhã. O resto já está tratado.

    Beijo

    A.

    P.S.: Tens aqui a chave do correio. Lá encontrarás as chaves de casa e no envelope azul pequenino vazio o que resta do meu amor por ti.

    maiores que o pensamento.

    Domingo, Outubro 26, 2008

    e porque este fim de semana foi por demais pródigo em momentos mágicos, instantes de alegria, gargalhadas e descobertas, cumplicidades e conhecimentos ..... e como não me parece que lhes conseguisse sequer fazer justiça com as minhas palavras, aqui ficam as de outrem....

    Mal nos conhecemos
    Inaugurámos a palavra amigo!

    Amigo é um sorriso
    De boca em boca,

    Um olhar bem limpo,
    Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
    Um coração pronto a pulsar
    Na nossa mão!

    (Alexandre O'Neill)


    [eu sei que já vos disse isto ontem mas .... meninos... vocês estão cá dentro ;)]

    as palavras. (II)

    Sexta-feira, Outubro 24, 2008

    (palavras! palavras talvez sejam o meu vicio maior)
    se me potencias o vicio
    potencias-me a alma.



    [estas não são minhas. mas são para mim].


    pontes de vista.

    Quarta-feira, Outubro 22, 2008

    Em dois posts seguidos este senhor (que gosto imenso de ouvir e pelo qual saio sempre uns minutinhos mais cedo da aula da manhã para o "apanhar" ainda em linha) fala de três dos meus filmes favoritos, que contêm em si referências a três paixões: fotografia, cinema, poesia (literatura).

    De um destes filmes são as primeiras citações que coloquei ali na minha "ever-updating" barra lateral de preferidos: "As Pontes de Madison County".

    E diz o escriba:

    Confesso que não me lembro muito bem das Pontes de Madison County. Das brumas saem as ditas, que achei belíssimas, o meu querido Clint, último e fiel depositário de um certo cinema e tipo de actor, o desempenho intocável de Meryl e a sua mão crispada na porta de um automóvel.

    "A" cena ... o momento que nos toca a todos, acompanhando como vimos a acompanhar o encantamento crescente dos dois, os toques, a luz, o encontro dos corpos.

    Deve ser difícil encontrar quem, caso se tenha sentido tocado pelo filme, não tenha encarnado numa ou noutra personagem: quem não tenha sentido a chuva a escorrer-lhe pelo rosto, enquanto franzia os olhos para olhar, guardar na sua memória (fotográfica) a mulher que, a dois passos, contempla pela última vez ... ou quem, num espaço recolhido, familiar, definido, mas circundado pela indefinição, sem contornos, pelo embaciamento causado pela chuva (que o toca a ele, mas não a ela) crispa a mão na porta enquanto pesa e avalia e decide...


    Juízos de valor? Fazemos sempre. Opiniões a favor? Temos, não é possível evitar. Não conseguimos não ter, tal como não resistimos a encantar-nos com tudo o que esteja relacionado com as nossas mais secretas, mais intimas, mais humanas, mais frágeis aspirações. Os filmes que nos ficam mais na memória são sempre aqueles que nos oferecem a imensa potencialidade cinematográfica de uma paixão sumptuosa, de um amor (seja qual for a sua forma), de nos ser dado tudo incluindo a escolha dilacerante entre as várias partes de nós.

    O fulcro da questão é o habitual... - deixar ou não um amor tranquilo por uma paixão avassaladora. Em trinta anos de profissão ouvi descrever as duas decisões e os trajectos subsequentes. Há quem fique por cobardia, pelos outros, por considerar que a paixão não resistirá ao quotidiano e um dia se assemelhará ao afecto deixado para trás. Há quem descubra não estar talhado(a) para a vida de casal, embora tenha pressionado o outro para o (a) seguir. Muitos dos julgamentos de valor a que assistimos partem do pressuposto que viver a paixão à custa de tudo o resto é quase uma "obrigação ética". Não concordo e a História também não. Acho perfeitamente legítimo resistir às consequências práticas de uma paixão e aos 58 já percebi que somos muito injustos para o amor tranquilo, chegamos a confundi-lo com monotonia e desistência!

    Concordo consigo, caro professor, em discordar desse pressuposto. Não será mais emocionante abrir a porta, correr, através da chuva, de encontro a quem, estático, se nos oferece? Sem dúvida. E era neste ponto que o filme acabava. Dir-se-ia "they lived happily ever after", apareceriam os créditos, a música do final...Mas como na vida real, não há paixão que por si própria resista, sem amor, sem o calor do conhecimento, não existe paixão que, posta à prova pela realidade, pela rotina, não se desvaneça e nos decepcione.
    A paixão pode ser eterna. Como memória. De outra forma desgasta-se. O amor é eterno. Como realidade.

    Ela diz a certa altura que foi pela lembrança dele que conseguiu permanecer na quinta tanto tempo. Admissão de que cometeu um erro? Não. Também é pela esperança de concretizarmos os nossos sonhos que vivemos cada dia, sejam eles pequenos, enormes, materiais ou espirituais... É por carregarmos connosco memórias de pessoas que passaram pela nossa vida, que nos sentimos acompanhados, parte de algo maior do que nós. É por relembrar momentos que vivemos, que descobrimos quem somos e o que queremos.

    Não serão as Pontes mais um exemplo da tradição ocidental de considerar
    perfeitos apenas os amores interrompidos por morte ou distância.

    Sem dúvida. Por isso se trata de um óptimo filme. E de um péssimo manual de vida.

    mãos.

    Terça-feira, Outubro 21, 2008

    Teu corpo,
    Meu porto,
    No teu peito,
    Me revivo.
    Mãos anseiam,
    Pela pele.
    Sustêm.
    Suspiro. De dor.
    Prazer. Ardente.
    Sustêm.
    Eu respiro.
    Inspiro.
    Suspiro.
    Teu corpo.
    Em mim.
    Eu expiro.
    Eu grito.
    Meu peito.
    Tuas mãos.
    Tua pele.
    Meu corpo.
    Em mim.
    Tu anseias.
    E perdes-te. Em mim.

    tempo.

    Segunda-feira, Outubro 20, 2008

    era tempo. de fugir às curvas sombrias do silêncio na minha pele. era tempo. de guardar as memórias, trancadas bem longe do peito. era tempo. do brilho voltar aos olhos, da ternura desgastar a frieza dos dedos, a rigidez dos lábios. era tempo. de voltar a ser terra e voltar a ser ave, tendo tanto raízes como o desígnio da lonjura. era tempo. do fogo, da combustão lenta de tudo o que sobreviveu. ao vento do outono agreste.

    foi tempo. da luz da manhã e do voo das gaivotas.

    é tempo. de recomeçar.



    ponto.

    "este instante, agora, será o teu passado.
    este instante, agora, será o meu futuro"
    (José Luís Peixoto)

    maior que o pensamento.

    Sábado, Outubro 18, 2008

    Sabe bem ver que mudámos. Que crescemos. Que tomámos decisões. E aceitámos as consequências. E as responsabilidades. Que arriscámos. Que saímos não só do nosso casulo, mas do país, do continente até, à procura de nós próprios. E que, se ainda não achámos tudo o que queríamos, encontrámos, pelo menos, partes de nós que desconhecíamos. No caminho.

    E sabe bem ver que ainda sorrimos com histórias de directas inenarráveis. De serenatas desafinadas aos vizinhos às 3 da matina. De café fora do prazo de validade para ajudar a concentrar no trabalho (tanto que uma adormeceu e tu saltaste pela janela do teu rés do chão e foste dar a volta ao quarteirão a correr).

    7 anos... como o tempo passa. E sabe bem ver que a amizade se mantém, apesar da distância e se calhar cresce com o nosso crescimento, a nossa maturidade.
    E soube muito bem falar de Deus e de gin tonic, de livros e de spray para mosquitos, do tudo e do nada.


    E sabe muito mesmo muito bem. ter amigos assim.


    (eu sei, é pegar no avião e....)

    nos olhos.

    Sexta-feira, Outubro 17, 2008

    I never quite understood the expression "feeling blue". In such occasions, my hazel eyes always turned into emeralds, never sapphires.

    o silêncio.

    Quinta-feira, Outubro 16, 2008

    a folha, branca. há horas que aguarda, paciente. mas as palavras fogem. encolhem-se. é noite. de silêncio. os primeiros sinais de vida lá fora. o silêncio. as minhas mãos. vazias. repletas de nada. prenhas de tudo. da madrugada à manhã. e o silêncio. os meus dedos pequenos. os meus braços longos. e os meus olhos, que de castanhos se enverdecem. com o segredo. e o silêncio. e algumas palavras. três, quatro palavras. pouco mais. lançam raízes na alvura da folha. e quebram. por momentos. o silêncio.


    [nasce o dia. tu. estou (sempre) aqui.]